terça-feira, 14 de julho de 2009

Uma mulher chamada Maria!

“...depois de ti, Maria, é mais bonito ser mulher...”
Mulher: feminilidade e maternidade; fragilidade e fortaleza; sofrimento e sabedoria, esperança e serenidade; olhar e fé.
Maria: eis aqui uma mulher que mostrou um lado diferente de ser mulher, mesmo somando todas estas características: o resultado da mistura de tudo o que é possível com o que é impossível.
É impossível falar de Maria sem falar de Jesus. Maria, a mãe, não existe sem seu filho. Maria, a mulher, tem muito a nos ensinar.
Vivemos em um tempo onde a mulher vem conquistando um espaço cada vez mais significativo na vida em geral. A humanidade, um dia, já viveu pelo sistema matriarcal, porém, o homem venceu pela força e o sistema passou a ser então patriarcal.
Eva é a primeira mulher citada na Bíblia, em Gênesis, a qual Deus instituiu como companheira de Adão - o homem, no ato da criação, tornando-a assim, junto com o homem, sua imagem e semelhança. Porém, nem todos viam assim.
O Antigo Testamento revela a vida de muitas mulheres que, lado a lado com o homem, tiveram grande capacidade de liderança, participação na vida familiar, social, econômica, religiosa e comunitária de Israel. Mulheres grandes na fé, como Sara, esposa de Abraão, que na sua idade avançada gerou Isaac, iniciando assim a nação israelita. A prostituta Raabe; a irmã de Moisés, Miriam; Ana, Débora; a mulher virtuosa que fala o livro dos Provérbios, no capítulo 31, de autoria da mãe do rei Salomão. Ester, a qual se tornou rainha da Pérsia e conseguiu impedir um plano que acabaria com o povo judeu... e assim tantas outras personagens que marcaram o Antigo Testamento com coragem, força e fé. Entretanto, haviam muitas leis que impediam o seu direito de igualdade com o homem. Assim, seu papel acabou sendo reduzido, para muitas, ao da submissão e a de progenitoras, o que as tornavam excluídas. Mesmo o divórcio tinha leis severas somente para as mulheres.
Foi num contexto histórico assim que nasceu Maria, a mãe de Jesus. Seus pais, Joaquim e Ana, descendentes de Davi, eram muito religiosos, porém sofriam porque não tinham filhos. Após fazerem uma promessa a Deus de que se eles recebessem a graça do nascimento de um filho o destinariam ao serviço de Deus, Ana, já em idade avançada, concebe uma filha, a qual da o nome de Maria.
Maria, que em hebraico significa senhora soberana – rainha da luz, foi esperada por seus pais com muita alegria e gratidão. E assim Maria veio ao mundo.
Pois bem, esta pequena senhora, aos 3 anos de idade foi apresentada no templo por seus pais, como era de costume. Para cumprirem a promessa que fizeram a Deus, passaram então a morar perto do templo para que Maria pudesse se dedicar totalmente a Deus, estudando com outras meninas as Leis, rezando, lendo as Sagradas Escrituras e executando trabalhos manuais modestos. Ali Maria viveu aproximadamente até seus 11 anos, tempo esse em que a graça de Deus foi trabalhando silenciosamente dentro dela, levando-a a desenvolver uma compaixão humana muito grande, com humildade e dedicadeza em tudo o que fazia e principalmente, entregue a vontade de Deus, sem reservas ou hesitação.
Seus pais, Joaquim e Ana, já estavam bem idosos. Quando Maria completou 12 anos foi transferida para Nazaré porque seu pai então faleceu e ela não poderia permanecer mais ali no templo em Jerusalém porque as leis não permitiam.
Indo morar em Nazaré, Maria, como era o costume da época e do povo, foi prometida em casamento a José, o qual pertencia a tribo de Judá e era da linhagem do rei Davi. Em relação a Maria, José tinha uma idade avançada, porém era um homem muito respeitado e admirado pelas pessoas pois era temente a Deus, possuía em seu coração um amor grande a sua religião e sempre foi um homem do silêncio e do trabalho. A Bíblia mesmo fala pouco sobre José. Sua vida foi em função da vinda de Jesus pois ele também foi escolhido para acolher Jesus como seu filho adotivo neste mundo, tanto que também sua profissão, a de marceneiro, Jesus aprendeu com ele.
Certo dia, antes de casar-se com José, estava Maria em sua casa fazendo seus trabalhos manuais quando algo diferente ocorre. Surge diante dela um enviado de Deus que a cumprimenta dizendo: “Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está com você! Não tenha medo!” Maria não entende o que aquelas palavras querem dizer e fica meditando-as em seu coração. E o enviado então falou-lhe de sua futura gravidez, do filho que ela geraria e do projeto que Deus tinha sobre ele. Ela seria a mãe do messias que todo o seu povo esperava. Mas como isso aconteceria, perguntou, pois ela ainda não havia se casado com José. “A criança que nascer de ti será chamada Filho do Altíssimo pois o Espírito Santo virá sobre você e o santificará em seu ventre. Sua prima Isabel, a qual era considerada estéril agora está grávida, mesmo já sendo idosa. Veja: para Deus nada é impossível!” Sentindo uma alegria muito grande em seu coração, Maria então ajoelha-se e proclama a Deus seu primeiro “Faça-se”.
Sabendo então da gravidez de sua prima Isabel, Maria decidiu ir passar uns tempos com ela para ajudar-lhe nos trabalhos de casa e na espera do filho. Observa-se aí Maria missionária, amiga, que parte para ajudar quem precisa, que sai de si e vai em busca do outro sem medir esforços.
Chegando lá logo sua prima a viu e foi a seu encontro. Isabel sentiu uma alegria tão grande ao ver e ouvir Maria a saudando que a criança em seu ventre agitou-se por tamanha alegria. E então, percebendo que com Maria também havia acontecido algo semelhante, Isabel fala: “ Maria, entre todas as mulheres és bendita! Como posso eu merecer que a mãe do messias, o Salvador, venha me visitar? Eu senti uma alegria tão grande quando você entrou aqui que foi como experimentar a libertação chegando ao nosso povo! Sua fé é tão grande, Maria, que através de você Deus realizará o que prometeu”. Cheia de alegria, Maria então proclama seu cântico, a bela oração de Ana citada no livro....... do Antigo Testamento:
“A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.Porque pôs os olhos na humildade da sua Serva:de hoje em diante me chamarão bem aventurada todas as gerações.O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome!A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem.Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos.Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes.Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias.Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,Como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre”.
Maria ficou com Isabel por três meses e então voltou para Nazaré.
Ao chegar em sua cidade todos já podiam perceber que ela estava grávida. José, que a esperava com muita alegria e saudades, logo quando a viu entristeceu-se. Não era um homem violento e por isso não fez nada com Maria, apenas retirou-se de sua presença e foi para um lugar onde pudesse pensar no que poderia fazer pois sabia que se falasse a verdade, que o filho não era dele, Maria seria apedrejada pelo povo pois as leis eram claras a este respeito. Então, o que fazer, pensava ele. Maria, porém, permanecia numa serenidade inabalável, fiel a Deus e confiante em sua palavra, sabia que Deus iria ajudá-la e não a deixaria só.
Foi então que José foi avisado por Deus, em sonho, de que não precisava se preocupar pois o filho de Maria fora abençoado por Deus em seu ventre por obra do Espírito Santo, e ele seria aquele do qual o profeta Isaías havia anunciado. Pediu também para que José desse a ele o nome de Jesus, que em hebraico quer dizer: Salvador. E assim se fez... José recebeu Maria como sua esposa, respeitando-a e amando a criança que ela trazia em seu ventre como sendo seu filho.
O nascimento de Jesus foi um marco na história da humanidade. Maria, sempre obediente a Deus e confiante em José, deu a luz a seu filho em uma estrebaria, segundo conta a tradição cristã, sem nenhum conforto ou atendimento médico necessário. Foi sem dúvida uma jovem mulher que enfrentou na fé as durezas sociais e humanas que envolvem a vida. Porém, todo o mistério e beleza que gerou o nascimento de seu filho, Maria guardou e conservou em seu coração e isso a fortaleceu em todos os momentos difíceis pelos quais passou.
Completados os dias da purificação, como observava a Lei de Moisés, levaram o menino Jesus até o templo para apresentá-lo e consagrá-lo ao Senhor. Neste mesmo tempo aproximou-se do Templo um homem chamado Simeão, o qual já idoso aguardava ver, antes de morrer, o Messias que viria salvar seu povo. Chegando lá, Simeão toma o menino nos braços, louva a Deus e dirige palavras a Maria as quais ela não entendeu, mas novamente guardou em seu coração e ali foi meditando-as enquanto via a vontade de Deus se cumprir em sua vida e na de seu filho. Depois disso, voltam para Nazaré.
Todos os anos acontecia em Jerusalém a festa da Páscoa e todos os povos das cidades da redondeza se dirigiam até lá. Faziam isso em peregrinação, todos juntos. Jesus já estava com 12 anos quando sua família, como de costume, foi a desta com o povo de sua comunidade. Ao regressarem seus pais, misturados ao meio do povo, não perceberam que Jesus havia ficado em Jerusalém pois pensavam que ele estava junto com outras crianças. Somente depois, no meio do caminho é que perceberam que ele não estava na caravana, então voltaram a Jerusalém muito aflitos para procurá-lo.
Maria, embora sentindo seu coração doer de tanta preocupação, não perde a calma nem a fé de que encontraria seu filho. Chegando lá, Maria e José o buscam por todos os lados, perguntando a cada pessoa se viram tal criança. Somente 3 dias depois do sumiço de Jesus é que o encontram no Templo, conversando e fazendo perguntas aos doutores e chefes da religião judaica. Ao vê-lo, uma alegria invade o coração da mãe aflita que imediatamente o questiona sobre o porque de ele agir daquela forma com ela e seu pai José. Sem exitar o menino responde tranquilamente que a preocupação deles não deveria ser tanta pois já deviam de imaginar que ele estaria no templo, cuidando das coisas de Deus, o qual ele chamou de pai, pela primeira vez, sem perceber. Mas Maria percebeu e guardou aquela palavra em seu coração, lembrando do dia em que o enviado de Deus a visitou falando do filho que ela carregaria em seu ventre e da importância que ele daria a Deus em sua vida. E assim a profecia começava a mostrar evidências de que realmente o messias já estava no meio do seu povo.
Retornaram então a Nazaré onde Jesus foi crescendo em sabedoria, graça e estatura diante de Deus, de sua família e do seu povo. Aprendeu de seu pai a profissão de carpinteiro, observando muito mais que os detalhes que o trabalho exigia, mas sobretudo aprendendo do homem José, integro, honesto e trabalhador, e da mãe Maria, exemplo de vida de oração, confiança e entrega a Deus, muita humildade no trato com as pessoas e uma grande fé, paciência e coragem.
Maria acompanhou a vida de seu filho passo a passo como uma boa mãe que sabe educar e amar ao mesmo tempo. Quantas vezes Maria não deve ter chorado escondido, como fazem as mães? Quantas noites ela deve ter ficado sem dormir, preocupada com seu filho, esperando ele chegar em casa?
Ela na foi rica e sim pobre. Foi aquela mãe trabalhadeira, que colhe o trigo, mói e faz o pão. Cuida da limpeza da casa e das roupas de sua família e no silêncio conversava, ouvia e buscava a Deus. Foi mãe e esposa de operários e mesmo assim foi a mais nobre de todas as mulheres deste mundo.
Jesus, tanto na catequese quanto na participação na sinagoga, foi muito dedicado e muito sensível aos apelos de Deus em seu coração. Com certeza, muitas vezes, ele se dirigiu a sua mãe em busca da vontade de Deus para sua vida, pois era nela que tudo havia começado. E Maria, como fonte primeira, estava sempre a disposição de seu filho e de Deus. – “Faça-se!”, esta foi sempre a resposta que ela e Jesus deram a Deus e que calou seus instintos humanos mais fortes e profundos.
Passado alguns anos vem a morte de José. Maria agora se vê sozinha com seu filho. Jesus já esta com quase 30 anos e começa aí a ser movido totalmente pelo Espírito Santo que o santificou no ventre de sua mãe. E Maria o acompanha no silêncio do seu coração e na confiança em Deus de que sabia nas mãos de quem havia depositado a vida de seu filho.
Jesus já começava a ganhar notoriedade em sua cidade pelas palavras que dizia na Sinagoga e pela vida que elas transmitiam e algumas pessoas já mostravam o desejo de segui-lo.
Certo dia houve uma festa de casamento de uns parentes de Maria e Jesus em Caná da Galiléia e os dois foram convidados. Alguns seguidores de Jesus foram junto com ele também. Em certo momento faltou vinho e as pessoas começaram a ficar incômodas com aquela situação, em especial os pais dos noivos. Maria percebeu que alguma coisa estava acontecendo e foi ver o que era. Quando soube da falta do vinho foi e falou para Jesus, o qual, no primeiro momento achou estranha a atitude de sua mãe e nada fez. Maria apenas disse as pessoas que estavam ao seu redor para ajudarem seu filho no que ele precisasse e então abriu espaço para que Deus começasse a operar sua vontade em Jesus. E assim aconteceu. Jesus inicia aí sua “vida pública”, manifestando o poder de Deus em sua vida.
Mas, olhemos atentamente para Maria nesta cena: uma mulher sensível a Deus e as necessidades do povo, intercessora. A mãe paciente, que conhece e espera do filho o melhor e crê nele.
A partir daí, a mãe acompanha seu filho, assim como outras mulheres que também se põe a seguir Jesus. Porém, o papel da mãe e da mulher Maria vai ficando na sombra de seu filho. Assim como José, Maria fora a escolhida por Deus por causa de Jesus. Mas Jesus foi o que foi pela influência da vida destas duas pessoas. As bem-aventuranças, por exemplo, com certeza Jesus vislumbrava sua mãe ao descrevê-las pois ele aprendeu de sua mãe, olhou para ela e a admirou. Aí percebe-se que a maternidade de Maria foi muito mais que carnal, foi também espiritual.
Ao procurar Jesus, em certa passagem bíblica, Maria, apontada como “sua mãe está aí”, recebe de seu filho uma resposta que pode até tê-la entristecido pois Jesus refere-se as outras pessoas com quem está como sendo “sua mãe”. Porém, ela sabia em seu coração que seu filho não veio ao mundo para ela e sim para fazer a vontade daquele que o enviou e que aquelas pessoas eram tão importantes para ele quanto ela.
O papel de Maria é bem mais do que o papel de mãe de Jesus, ela é também a mãe da humanidade, de todas as pessoas. Imaginemos um ninho de pássaros onde 4 filhotes famintos estão esperando a mãe retornar ao ninho com alimento para eles. Retornando, a mãe os alimenta mas a comida é pouca e eles sentem fome. Um dos filhotes, então, dá-se como alimento aos seus irmãos e a mãe assim, dando a carne de seu filho sacia os outros. Um filho se entrega, por e com amor, para saciar a fome de todos os outros... Foi este o papel da mãe Maria: dar seu filho ao mundo, e foi este o papel de Jesus: dar-se como alimento a todos nós.
Outro fato marcante da vida de Maria foi o Calvário. No Calvário, acompanhando Jesus em sua “via-sacra”, Maria teve que ser mais forte do que fora em sua vida toda. Com certeza perguntou-se o “por que” daquilo tudo, mas também mais uma vez proclamou o seu “Faça-se”, tendo a certeza de que ali respirava Deus e de que o seu amor iria transformar tudo. “Faça-se”... sem gritos ou escândalos... apenas fiel a Deus e a seu filho Jesus, até nos pés da cruz.
Esta foi a mãe e a mulher Maria. Tão jovem e tão cheia de Deus que teve a graça ver seu filho ser chamado de “Filho de Deus”. Tão feminina que tornou a mulher mais bela, mais santa, mais divina. Tão senhora de si e de suas emoções que ensinou a cada mulher a linguagem do coração. Tão forte e serena que nos ensinou a nos recolhermos sobre nós mesmos como uma flor que dobra suas pétalas diante da negra noite e que depois se abre na aurora do dia. Tão orante e também silenciosa que nos ensinou a sua oração: Faça-se!
Esta foi a mãe e a mulher chamada Maria, a cheia de graça!
Amém!

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