terça-feira, 14 de julho de 2009

Um irmão chamado Jesus!

Irmão: palavra que aproxima e quebra distâncias desfazendo as diferenças. Referir-se a alguém como irmão indica intimidade e liberdade com essa pessoa, trazendo-a para junto de si de uma forma acolhedora.
Escolhi esta palavra para referir-se a Jesus porque ele foi uma pessoa que soube ser assim para com todos os que se aproximavam dele. Soube trazê-las para junto de si de uma forma tão pessoal que conhecia o coração de cada um somente com o olhar. E neste saber olhar, ele sabia também ouvir, falar o essencial e caminhar junto com qualquer pessoa, independente de sua história de vida.
Jesus é o irmão que nos deu um pai chamado Deus ou que nos ensinou a chamar Deus de pai. Deus foi a primeira pessoa que Jesus aproximou de todos nós. Até então, a relação que as pessoas mantinham com Deus sempre foi distante e cheia de negociações. Por isso o “antes de Cristo” e o “depois de Cristo” não só dividiu o calendário da humanidade e a Bíblia, mas veio nos mostrar também que somos herdeiros dessa divindade, passando por uma experiência humana.
A história de seu nascimento é uma das mais conhecidas, contadas e encenadas até hoje. O aspecto social e religioso foram os que mais envolveram seu nascimento e isso se seguiu durante toda a sua vida até a morte.
A pobreza sempre fez parte de sua vida, mas não foi uma situação que o condicionou a ser um miserável ou um marginal, muito pelo contrário, para Jesus foi sinônimo de liberdade para ele e para Deus agir em sua vida. Tanto que, essa pobreza de Jesus foi colocada dentro da vida consagrada como um voto, ou seja, é uma condição para quem quer consagrar-se a Deus viver e ser pobre. Sem essa pobreza não pode haver entrega a Deus.
A religião era, nas palavras de Jesus, pregada por hipócritas que a usavam como poder para beneficiar-se, impondo ao povo uma coisa que eles não faziam. As leis eram pesadas, desnecessárias muitas vezes e seletivas. As mulheres, crianças e doentes eram os mais deixados as margens não só dentro da sociedade como também dentro da religião.
Claro que essas injustiças e muitas outras eram vistas e denunciadas a publico pelos chamados “profetas”, os quais tinham a coragem de “gritar” aos quatro ventos a injustiça e a mentira da sociedade e da religião. Jesus também foi visto, a princípio, como um desses profetas, e não que ele não tenha sido, ele foi também um profeta.
Entretanto, antes de tudo, Jesus tinha uma família: era o filho do carpinteiro José e da humilde mulher Maria. Tinha seus parentes e amigos. O relacionamento com seus apóstolos, mais tarde, revelava alguém muito humano, que conhecia cada pessoa por dentro, com suas particularidades, defeitos e dons, os quais ele soube trabalhar muito bem.
De repente Jesus, o filho do carpinteiro
se tornara famoso em território estrangeiro
e toda gente insistia que Jesus era filho
de José e Maria e que não é por falar
E na pequena cidade um comentário se ouvia
onde Ele fora arranjar tamanha sabedoria
Todo mundo sabia que seu pai se ocupara
de uma carpintaria onde o menino cresceu
um belo dia, contudo, Ele saíra pregando
um novo reino e falando que o pai d´Ele era Deus.

Mas o que será que movia este homem por dentro? Além da força do Espírito Santo, Jesus viveu uma experiência familiar muito saudável e também foi fiel a sua catequese recebida na Sinagoga. Aprendeu a orar, a ler, conhecia de cor os Salmos e com o passar dos anos identificou-se naquelas escrituras como o “cordeiro de Deus” pois seu coração ansiava por aquela libertação. Mas, descobrir-se, sentir-se e revelar-se como Filho de Deus se deu ao longo de sua vida e missão.

É difícil para a nossa fé, às vezes, enxergar Jesus como um ser humano, um homem. Mas ele foi. Teve suas alegrias e tristezas, foi seguido e perseguido, teve que fazer escolhas difíceis, trabalhar, renunciar ao casamento, estudar, alimentar-se para viver, rezar - e muito! Se Jesus não tivesse a vida de oração que ele teve com certeza ele não teria conseguido ir até o fim em sua missão. Teve amigos e chorou pela morte de um deles, que foi Lázaro. Optou muitas vezes pela solidão, sendo um celibatário por livre escolha porque quis dedicar toda a sua vida ao serviço do Reino de Deus e nele encontrou o amor que preencheu todos os seus dias. Por isso, dentro da vida consagrada o celibato também é uma condição para o seguimento de Jesus, é um voto, e vivendo este voto, o consagrado vive pela mesma graça que Jesus viveu.
A fidelidade e obediência que Jesus teve ao caminho escolhido também foram fatores fortes para o cumprimento de sua missão. Sua obediência nunca foi cega pois ele sabia o que fazia de sua vida e tinha uma visão ampla do ser humano como pessoa e como espírito também. Assim, a vida consagrada exige também o voto de obediência para que aqueles que se consagram tenham este esclarecimento dentro de si, como Jesus teve, para que a obediência tenha um fundamento, uma razão de ser.
Como em terra natal nenhum profeta é aceito
logo, logo, arranjaram prá Jesus um defeito
Que Ele não tinha jeito de profeta qual nada
era tudo barbada, ilusão de rapaz
E na pequena cidade o comentário crescera
que Jesus na verdade até já enlouquecera
Todo mundo entendia, todo mundo sabia
que Jesus não podia ser de Deus um sinal
Um belo dia, contudo, Ele saíra curando
e mesmo ressuscitado, com poder sem igual.

Jesus não foi um rei da maneira com a qual todos estavam acostumados a ver, sua nobreza estava em seu ser, seu caráter e na sua maneira de tratar as pessoas. Sempre muito inteiro em tudo o que fazia, Jesus usava de uma pedagogia para com aqueles que o seguiam que não dava respostas prontas, embora ele as soubesse. Ele fazia com que cada pessoa encontrasse a resposta dentro de si mesma, ou seja: ele batia na porta do coração com as perguntas certas e cabia a cada um abrir a porta por dentro e deixá-lo entrar. O espaço que lhe dava ele conquistava de tal maneira que era impossível não entregar-se totalmente a ele. O relacionamento com seus apóstolos, por exemplo, revelou alguém muito humano, que conhecia, aceitava e respeitava cada pessoa, com suas particularidades, defeitos e dons, os quais ele soube trabalhar muito bem. Assim, ele nunca obrigou ninguém a segui-lo, apenas aproximou-se, deixou também que as pessoas se aproximassem, lançou o convite e semeou sementes. Foi um homem cheio de amor, do verdadeiro amor, aquele que age. Por isso, o amor que temos uns pelos outros será o primeiro sinal de que somos seus seguidores.
Ser um semeador sempre foi uma de suas principais características, tanto que para revelar Deus, seu Reino e também auto-revelar-se, Jesus contava histórias e usava de símbolos ou metáforas, como: o barco, as sementes, o fermento, o sal, a luz, o tesouro escondido no campo, a moeda, o pastor de ovelhas, as redes, a pesca, o trigo, uva e muitos outros símbolos. Tudo isso fazia parte da vida e da cultura do seu povo por isso certas comparações ajudavam as pessoas a ver que o Reino de Deus já estava acontecendo no meio deles. Lançar as redes ao mar, por exemplo, e “se tornar pescador de pessoas”, Jesus falou aos pescadores.
O chamado dos primeiros seguidores, que eram pescadores, permaneceu para sempre vivo em seus corações como uma chama que jamais se apagou, a qual foi sendo passada para nós através do amor concreto, do testemunho de vida e da certeza de que Jesus realmente era o filho de Deus e de que ele ressuscitou e continua vivo no meio de nós.
É um mistério da fé. Mistério, porém, que deixa de ser quando se percebe que suas palavras continuam tão cheias de vida hoje quanto eram há dois mil anos atrás... quando se percebe o numero de pessoas que consagram suas vidas de uma forma mais radical por amor do seu nome... quando se vê pessoas saindo pelo mundo em missão para simplesmente ajudar outras pessoas, sem o intuito de querer converter ninguém, apenas por querer fazer o bem e por ser sensível aos apelos de Deus no mundo, encontrando nisso a verdadeira felicidade. E ser mais feliz ainda se por estes atos e muitos outros ser chamada de cristã.
Jesus foi um ser humano assim, sensível a Deus e as necessidades do povo. Seu coração sofreu muitas e muitas vezes por fatos humanos e também espirituais, como um campo de batalha onde estas duas forças lutavam. Mas o amor de Deus derramou-se de tal forma em seu coração que tudo o mais era pequeno diante desse amor. Jesus foi inebriado de tal forma pelo amor de Deus que a fé nos mostra Jesus como o “Filho de Deus” exatamente porque sua vida irradiava isso: era um amor correspondido, e todos sabem que quando uma pessoa ama de verdade ela só fala do ser amado.
Por isso, havia algo de sagrado nas atitudes, palavras e no jeito de ser daquele nazareno. Respirava-se Deus junto dele. Pedro, seu apóstolo, certa vez lhe disse: “Mestre, para onde iremos? Só tu tens palavras de vida eterna.” E é esta mesma indagação que até hoje fazem aqueles que o conhecem verdadeiramente porque sentem a eternidade e a divindade que emanam de sua pessoa, e uma vez ouvindo a sua voz, ela ficará para sempre em nós.
O calvário é um enigma da fé de Jesus e de sua mãe, Maria. Ambos não disseram seu “faça-se” sem prever isso: para Maria uma espada de dor que transpassou seu coração e para Jesus a morte na cruz. E este mesmo enigma também acompanha a fé daqueles que se colocam no seu seguimento porque de um lado está a sua proposta de vida e de outro aquela que o mundo oferece. Como dizem as escrituras: “...é estreito o caminho que leva a vida e largo aquele que conduz a morte. Escolham, pois, o caminho estreito.” Somente o amor serve e justifica-se, aqui, como resposta. No mais, silencia-se diante de tudo isso.
Mas prá tudo se acha alguma explicação
prá não se ter que aceitar nenhuma renovação
e toda gente insistia que Jesus fora longe
mais do que deveria e que devia calar
E que devia voltar prá aquela carpintaria
e que se César soubesse, o povo é quem pagaria
todo mundo se lembra o que depois sucedeu
como foi que O mataram porque foi que morreu
e o mundo foi dividido entre quem leu e não leu
quem acredita e não crê, que Ele era o filho de Deus.
Falar sobre Jesus, este irmão exemplar, é descobrir não só como as palavras são belas, mas também como podemos ser bons e fazer o bem e como somos capazes de amar além dos nossos limites humanos.
Deus é um só e Jesus veio para todos. Que diante dos apelos do mundo ou de qualquer situação ou necessidade, nossa ou de algum irmão, possamos repetir como Pedro: “Não tenho ouro e nem prata, mas o que tenho te dou: o amor de Jesus de Nazaré”.

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