terça-feira, 14 de julho de 2009

Um amigo chamado Espírito Santo!

“o Espírito Santo de Deus é um sopro de vida... "

Amigo: palavra que define um ser que veio ao mundo para ser nosso anjo, ou o irmão que escolhemos, ou o espaço da liberdade que nos permite ser o que somos diante dele ou ainda alguém que não esquecemos e que não esquece de nós... e mais, alguém capaz de dar a vida por nós pois não há maior amor do que dar a vida por seu amigo.
Com esta definição começo a falar sobre o Espírito Santo, o bom amigo.
O Espírito Santo é o primeiro amigo de quem se tem noticias na Bíblia. Desde o tempo da criação do mundo, no livro do Gênesis, onde no princípio estava Deus a criar o céu e a terra, estava ele soprando e pairando sobre as águas fazendo companhia a Deus.
Certo dia, depois de tudo criado, Deus disse a ele – “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”, e assim se fez. E desde então todo ser humano é imagem e semelhança de Deus porque possui em si o sopro da vida dado pelo Espírito Santo.
A partir de então, muitas pessoas passaram pelo mundo caminhando na presença do Espírito Santo de uma forma mais sensível a sua presença, e ele, como um bom amigo, os fortificou e orientou na caminhada.
Abraão – o homem da fé, Moisés, Davi, Jó.... e alguns outros personagens que marcaram o Antigo Testamento foram pessoas que tiveram maior sensibilidade a Deus através da ação do Espírito Santo. Caminharam o caminho da vida cumprindo uma missão que os fazia olhar e se comprometer com a justiça e o direito de todo o povo e não só por eles.
Passado um tempo vieram os profetas, homens enviados por Deus para apontar um caminho que ainda viria mas que já deveria ser começado a seguir.
Ezequiel, um dos profetas, relata a famosa passagem do vale dos ossos secos. Aí, a palavra profética, assim como a palavra criadora em Gênesis invoca o espírito para libertar o povo que estava sendo dominado e destruído. É uma belíssima narração onde se pode visualizar a ação do espírito que é soprado nos cadáveres, fazendo-os reviver.
Porém, o mais radical deles foi João, o qual pregava um batismo de conversão. João, movido pelo Espírito Santo, vivia uma vida pobre e simples, totalmente desapegado de qualquer bem material e muito temente a Deus.
Todos viviam, então, uma espera, a vinda de um messias que libertaria o povo da escravidão. Sabiam que este dia chegaria, e pelo Espírito Santo, viviam essa esperança. E o Espírito Santo não os decepcionou...
Estava certa vez uma jovem em sua casa, seu nome era Maria e ela era muito pura de coração e transparente em suas ações. Deus a olhou de um modo especial e o Espírito Santo a visitou e fez nascer dela Jesus, o “cordeiro de Deus” do qual os profetas profetizaram, o qual, segundo Isaías, “anunciaria a Boa notícia aos pobres; proclamaria a libertação dos presos e aos cegos devolver-lhe-ia a visão e libertaria os oprimidos, louvando a Deus”. E foi assim que o amor então veio ao mundo.
Desde pequeno Jesus foi obediente a seus pais, e crescia em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e das pessoas.
Enquanto isso, João, o ultimo dos profetas, o qual é chamado o pré-cursor do messias porque foi ele quem preparou o caminho para Jesus, vivia também sua missão. Ambos tinham quase a mesma idade e o Espírito Santo trabalhava silenciosamente em seus corações e em suas vidas.
As margens do rio Jordão, João pregava e batizava. O povo, na espera do messias, perguntavam a si mesmos se João não seria o Messias. Por isso, João declarou a todos: “Eu batizo vocês com água. Mas vai chegar alguém mais forte do que eu e eu não sou digno nem sequer de desamarrar a correia das sandálias dele. Ele é quem batizara vocês com o Espírito Santo”.
Jesus, movido então pelo Espírito Santo, dirigiu-se até João para receber o Batismo. Ao ser batizado Jesus colocou-se a rezar e então o céu se abriu e de lá ouviu-se uma voz que dizia: “Tu és o meu Filho amado! Em ti encontro o meu agrado”.
Feita então esta comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Jesus é conduzido por este mesmo Espírito através do deserto. Durante 40 dias Jesus é tentado por outro espírito, o qual não é nem um pouco seu amigo, e ali, diante das Escrituras e do que lhe era proposto por “tal espírito”, Jesus identifica-se nelas como o Messias esperado e enviado por Deus a toda humanidade. E assim, esgotada todas as formas de tentação, tal espírito afasta-se de Jesus para voltar quando ele estivesse mais fraco.
Com a força do Espírito Santo, Jesus retorna então a sua cidade e inicia sua missão citando o que Isaías havia dito sobre o Messias: “O Espírito do Senhor está sobre mim porque ele me consagrou...”.
Antes de qualquer decisão, escolha ou dúvida e mesmo diante do medo, Jesus se retirava para orar, e lá, juntamente com o Pai e o Espírito Santo, Jesus curava suas feridas para poder depois curar a dos outros.
Se Jesus não tivesse vivido essa comunhão intensa com Deus e com o Espírito Santo ele não teria chegado até onde foi. Sua infância, sua família e sua participação na sinagoga também foram importantes para o seu caminho, pois conhecendo as escrituras e sendo sensível as necessidades do povo de seu tempo, Jesus foi sendo absorvido pelo infinito amor de Deus, o que o tornou Filho deste mesmo amor.
Num diálogo com Nicodemos, um judeu visto como importante, Jesus fala de um novo nascimento, o nascimento que se dá através do Espírito Santo. Nicodemos o questiona de que forma isso pode acontecer se o homem já nasceu e Jesus o leva para o campo da fé. Este nascimento, que visivelmente se dá através do Batismo, só é possível se o homem estiver aberto a “novidade” que é Deus, a qual vai se dar através da fé.
Jesus mesmo começou sua vida apostólica após o seu Batismo, foi ali que ele nasceu do Espírito e começou a ultrapassar as barreiras de uma religião que distanciava Deus dos homens. Tanto ultrapassou barreiras e chegou tão perto de Deus que o chamou de Pai, entendendo e vivendo aquele infinito amor a ponto de dar a sua vida por ele.
Em outro diálogo bíblico, agora com uma mulher samaritana, Jesus diz que Deus é espírito e deve ser adorado em espírito e verdade, ou seja: nada de templos, lugares materiais para louvar a Deus. O verdadeiro lugar de adoração a Deus é a vida do próprio homem, vivida em favor dos demais, assim como Jesus viveu, dentro da sua dimensão humana. Este é o verdadeiro culto que Deus quer e que só é possível quando as pessoas superarem preconceitos e discriminações.
Para os primeiros apóstolos também não foi fácil compreender o que Jesus dizia e entender a força do Espírito Santo. Antes de sua morte Jesus os instruiu e os alertou sobre perseguições por causa de seu seguimento, porém ele não ficou preocupado porque sabia que o Espírito Santo seria enviado a eles e a força do seu testemunho de vida iria ficar pra sempre em seus corações, fazendo com que através da vida deles Jesus continuasse vivo. E foi o que aconteceu.
Com a morte de Jesus na cruz houve um tempo de dispersão onde os apóstolos não entenderam de imediato o que e porque aconteceu tal fato, mesmo estando com Jesus todos os dias. Porém, durante quarenta dias, após a sua morte, Jesus apareceu a eles em lugares escondidos dizendo-lhes que dentro de poucos dias eles seriam batizados com o Espírito Santo. E assim, de várias outras formas Jesus mostrou-se vivo no meio deles.
Houve, porém um dia chamado Pentecostes, dia de grande alegria para os judeus pois celebrava-se a festa das colheitas. Neste dia, estavam todos os apóstolos reunidos em oração juntamente com Maria, mãe de Jesus, e outras mulheres. Soprou na sala onde eles se encontravam um vento muito forte e o Espírito Santo prometido por Jesus desceu sobre eles em forma de línguas de fogo e cada qual começou a falar na sua própria língua materna.
Pedro, então, tomando a palavra relembrou o que o profeta Joel já havia predito sobre o que Deus faria nos últimos dias, derramando seu espírito sobre seus servos e servas e estes profetizariam. Também Paulo, mais tarde, vai escrever em suas cartas sobre o imenso amor de Deus que foi derramado em nossos corações.
A partir daí começa o testemunho dos discípulos e a ressurreição de Jesus se faz conhecida a todos agora, e não só ao grupo dos doze. Restaurados por esta força impetuosa e dinâmica que vem do alto, os apóstolos ganham um novo vigor e vão pelo mundo anunciando o que Jesus falou, formando e vivendo em comunidades e continuando o que Jesus havia começado.
Muitas coisas foram e são feitas em nome de Jesus: curas, milagres, partilhas, ... mas o principal é revelar a filiação divina que todo homem possui e mostrar a humanidade de Deus Pai presente no meio de nós através desse nosso amigo tão próximo que é o Espírito Santo. E Jesus foi essa pessoa que soube tão bem viver e revelar isto.
Hoje, continuamos esse mesmo apostolado através do nosso testemunho diário em nossa vida. O Espírito Santo continua sua obra criadora em e através de nós, da mesma forma criativa e amiga de quando estava com Deus, lá no princípio...
Olhando para a pessoa de Jesus nos evangelhos, somos chamados a revelá-lo no mundo de hoje, pois a lei do Espírito, como cita Paulo na Carta aos Romanos, “dá a vida em Jesus”. Ele continua ressuscitando em nós cada vez que nos deixamos guiar pela luz do Espírito Santo e fazemos aquilo que ele faria se estivesse em nosso lugar.
O Espírito concede a cada pessoa dons diferentes. Todos, cristãos ou não, passam pelo mundo colocando em prática o que dele receberam. Deus não nos deu um espírito de comodismo, mas de ação, de busca de alegria, a nossa e a dos outros. Dinamismo, criatividade e coragem são sinais de sua presença em cada um de nós.

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