domingo, 14 de junho de 2009

Um Deus chamado Pai!

“...Pai nosso ...” (Mt 6, 9)

Pai: aquele que gera, que cria, que zela e que acima de tudo ama incondicionalmente, desde sempre e por toda a vida, e que nunca desiste de seus filhos.
Foi assim que Jesus nos apresentou Deus, como Pai! Um pai presente nos momentos alegres e também nos tristes. Um pai que perdoa, que é misericordioso e que nunca desiste de seus filhos porque só sabe amar. Aliás, se tem uma coisa que Deus não sabe é não amar.
O Antigo Testamento é marcado por uma experiência libertadora de Deus, mas o que aquele povo sentia em relação a Deus os mantinha muito distante de seu verdadeiro amor. Havia mais medo de Deus nas pessoas do que qualquer outra coisa. Este falso temor fez surgir através da religião leis que escravizavam, repudiavam e até excluíam as pessoas, afastando-as cada vez mais de Deus. O contato com Deus se dava através de sacrifícios nos templos, de uma forma de troca de favores e obediência cega, sem compreensão alguma.

No relato da criação, no livro do Gênesis, há um versículo onde Deus fala: “Façamos o homem a nossa imagem e semelhança”. Ali, Ele e o Espírito Santo conversavam. Desse diálogo já poderíamos nos colocar como filhos de Deus desde o princípio. Mas por que? Porque somos a imagem e semelhança de nossos pais, temos características semelhantes a eles. E Deus, aqui, nos torna seus filhos porque nos deu seu mesmo sopro de vida. Com um olhar mais atento a este diálogo poderia ter sido antecipado a revelação que Jesus veio trazer. Mesmo atravessando o Mar Vermelho a pé enxuto o povo não soube olhar para este diálogo santo e amoroso.
No tempo dos profetas esperava-se a vinda de um messias, de um rei que viria em nome de Deus para libertar o povo de toda injustiça e escravidão. É neste cenário que surge Jesus, em um tempo de espera.

Filho do carpinteiro José e da humilde Maria, Jesus vai bem mais profundo. Ele não só atravessou o mar, mas andou sobre suas águas... Não foi a toa que certa vez ele pediu que seus discípulos lançassem as redes e avançassem para águas mais profundas porque ali na profundidade onde ele mergulhou, ele conheceu o verdadeiro rosto de Deus. Sua intimidade com Deus foi tamanha que o fez ultrapassar todas as barreiras humanas e divinas que separam o homem de seu criador e ousou chamá-lo de pai.
Sua ousadia, porém, custou caro. Foi desprezado por seus próprios conterrâneos e acusado de blasfemar ao se proclamar filho de Deus. Acredito que um dos fortes motivos que o levaram a crucificação foi este pois Jesus entrou em conflito não só com o social de sua época mas com a religião. O fato de proclamar-se filho de Deus mexia com as autoridades religiosas tradicionais, não só a dos judeus mas também de outros povos porque Jesus, sendo judeu, colocava-se aberto a todos, como relata a passagem com a mulher samaritana.
Em uma de suas parábolas, a do Filho Pródigo, Jesus mostra a face misericordiosa de Deus. É um dos relatos mais lindos que há sobre o amor de Deus e que revela a essência de sua paternidade. Nele vislumbra-se bem que Deus não faz distinção de pessoas e que o que importa para ele é o retorno para sua casa. O pai acolhe de braços abertos aquele filho que um dia partiu levando tudo o que tinha direito e que agora retorna sem nada. E mais, ele o acolhe com uma festa, coloca um anel em seu dedo, sandálias em seus pés e a melhor túnica que possui, ou seja, ele lhe restitui a dignidade de pessoa que o filho havia perdido por meio do pecado. A música “Abraço de Pai”, de Walmir Alencar, descreve esta parábola com palavras de um amor e bondade irresistíveis. Vejamos:

"Quanto eu esperei! Ansioso queria te ver
E te falar o que há em mim, já não podia me conter
Me decidi, SenhorHoje quero rasgar meu viver
E te mostrar meu coração, tudo que tenho e sou
E por mais que me falem, não vou desistir!
Eu sei que nada sou, por isso estou aqui
Mas eu sei que o amor que o Senhor tem por mim
É muito mais que o meu, sou gota derramada no mar
Quanto tempo também o Senhor me esperou
Nas tardes encontrou saudade em meu lugar
Mas ao me ver na estrada ao longe voltar
Num salto se alegrou e foi correndo me encontrar
E não me perguntou nem por onde eu andei
Dos bens que eu gastei, mais nada me restou
Mas olhando em meus olhos somente me amou
E ao me beijar, me acolheu num abraço de pai".

Jesus também usa de comparações para mostrar que o amor de Deus é de fato um amor de pai. Diz ele que “ ...vocês, que são maus, sabem dar coisas boas a seus filhos quando eles pedem...”, quanto mais então Deus, o pai do céu, dará coisas boas aos que lhe pedirem. E sua proposta quanto a isso é clara: saber pedir, procurar e bater a porta para que ela se abra.
A parábola da Ovelha Perdida também nos mostra a importância que Deus dá aquele filho, aqui exemplificado como ovelha, que está perdido. Ele deixa segura as outras ovelhas e parte na busca daquela que mais necessita dele, enfrentando abismos e vales sombrios. E acrescenta também quão feliz Deus fica quando um filho que estava perdido no mundo do pecado se converte. Não que Deus não valorize os filhos “justos”, como explica a própria parábola do Filho Pródigo quando o irmão que estava com o pai o questiona sobre isso, mas é que Deus é muito bom e sua lógica para o amor é diferente da nossa. Deus não quer saber do que fizemos, porque fizemos... isso ele já sabe. O que Deus quer é que tenhamos coragem de voltar para Ele porque somos a sua imagem e semelhança e se um só membro de seu corpo não estiver bem, Deus também não sossegará enquanto não o ver bem.

Jesus, em um diálogo com algumas pessoas que o criticavam por ele andar junto com pecadores, justifica sua posição falando que “quem precisa de médico são os doentes e não os que estão sãos”, e acrescenta que ele veio para as ovelhas perdidas.
Olhando para o mundo ao seu redor, a realidade social, política, religiosa e humana, Jesus consegue ver Deus refletido em tudo. Porém, o reflexo que ele vê é a de um Deus desfigurado, diferente da experiência que ele mantinha com Deus , a qual ele queria passar para seu povo. Percebia que Deus faz milagres em todas as coisas através da força de seu grande amor, as pessoas é que não sabiam ver porque não haviam experimentado tamanho amor. Aí é que entra então a proposta do Reino de Deus. Mas que reino é este? Qual a proposta de Deus dentro do mundo em que vivemos, mundo este criado por Ele? Este Reino seria um mundo a parte ou não?
O que Jesus falou a seu povo a respeito do Reino de Deus naquela época vale também para nós hoje. Dizer que o “Reino de Deus já está no meio de vós” significa reconhecer que tudo o que é bom vem de Deus. “Deus é amor”, nos diz a carta de são João. O que move o mundo é o bem e não o mal porque o mal paralisa, entristece e mata.

A proposta do Reino de Deus é também aberta a todos os povos e não somente aos cristãos. Aliás, ser cristão é bem mais do que seguir os ritos católicos da religião. Ser cristão é imitar Jesus Cristo, o que todos, independente de religião ou crença, podem fazer porque as atitudes de Jesus não determinavam que essa proposta era para um povo em especial, muito pelo contrário, em várias passagens ele explana que a salvação veio “também para as ovelhas perdidas da Casa de Israel”, para os samaritanos, e que em muitas vezes estes povos é que entendiam mais a proposta do Reino do que o seu próprio povo. Por isso, o Reino de Deus é sem fronteiras e Jesus veio ao mundo para todos os povos e nações.
Deus continua hoje, através do homem, o seu ato criador tal qual no principio. A manifestação de Deus se dá especialmente através do ser humano, o qual foi criado a sua imagem e semelhança. Mas isso não limita Deus. Deus é um ser ilimitado, que “explode” em todo átomo que há. Todavia, essa manifestação de Deus no homem nos revela a grandiosidade do seu amor porque somente ao homem foi dada a liberdade de poder discernir, de escolher. É o livre arbítrio. A uma flor, por exemplo, não. Ela nasceu para ser uma flor de determinada cor, espécie e pronto, não pode escolher ser de uma cor ou de outra.

Os pais, em especial a mãe, a qual da à luz, é o símbolo máximo da expressão do amor de Deus. Não há mãe que, em sã consciência, não haja como o pai da parábola do Filho Pródigo. Seja o que lá que seu filho faça, ela sempre vai amá-lo e sempre vai acreditar nele. Deus é assim, nunca desiste de nós! Somos a imagem e semelhança de nosso “pai celestial”, criaturas vindas de suas entranhas. Por isso, podemos tranquilamente dizer: “Pai nosso que estás nos céus, pai nosso que estás aqui.

Um Deus apaixonado, mandou o seu recado, por meio do seu filho, e o filho foi Jesus. Mandou dizer que é pai e ama tanto e tanto a cada um, que até o fio de cabelo que nos cai, porque ele é Pai, seu coração percebe.” (Pe.Zezinho)
Abraços a todos que passarem por aqui!

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