domingo, 27 de dezembro de 2009

Deus não é um mistério...



Acho que os seres humanos são mais misteriosos do que Deus. Deus é transparente, deixa-se encontrar por todos aqueles que o buscam. Ele não mente, não engana, não se esconde... está aí para tudo e todos.

Deus não é um mistério para mim mas os homens são.

Um abraço a todos que passarem por aqui!

domingo, 8 de novembro de 2009

Sentir Deus


A Teologia é um bom caminho para conhecer e saber mais de Deus... porém nada supera a vida e suas experiências diárias. A questão aqui não é só "ver" Deus mas "sentir" Deus! Aprendi isso com o menininho Mohamed, do filme "A cor do paraíso". Ele era cego e, num momento de desabafo ele fala que Deus ama mais os cegos porque eles conseguem sentir Deus, algo que é muito mais sublime do que ver. E ele, em toda a sua pureza e também dor guardada em seu peito sentia mais Deus do que qualquer outra pessoa que enchergasse e era admirável sua sensibilidade para a vida oculta que o cercava.

Assim, questiono-me:

Quem foi que nos disse que somente vale a alegria, sorrisos ou o belo para sentir/ver a Deus? Quem foi que nos proibiu de chorar, de esconder lágrimas e de sorrir enganosamente ocultando a verdade de nossa alma? Que foi que decretou que só vale ser feliz?

Penso que Deus também passa por esses caminhos da vida e vive conosco, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença e não deixa nosso coração sozinho.

Deus também sente!

Deus também sofre, e muito... por mim, por você, por nós...

E Deus também quer ser feliz!


Abraços a todos que passarem por aqui!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Consagração


Dia 05/09/2009


Obrigada, Pai!

terça-feira, 14 de julho de 2009

Uma mulher chamada Maria!

“...depois de ti, Maria, é mais bonito ser mulher...”
Mulher: feminilidade e maternidade; fragilidade e fortaleza; sofrimento e sabedoria, esperança e serenidade; olhar e fé.
Maria: eis aqui uma mulher que mostrou um lado diferente de ser mulher, mesmo somando todas estas características: o resultado da mistura de tudo o que é possível com o que é impossível.
É impossível falar de Maria sem falar de Jesus. Maria, a mãe, não existe sem seu filho. Maria, a mulher, tem muito a nos ensinar.
Vivemos em um tempo onde a mulher vem conquistando um espaço cada vez mais significativo na vida em geral. A humanidade, um dia, já viveu pelo sistema matriarcal, porém, o homem venceu pela força e o sistema passou a ser então patriarcal.
Eva é a primeira mulher citada na Bíblia, em Gênesis, a qual Deus instituiu como companheira de Adão - o homem, no ato da criação, tornando-a assim, junto com o homem, sua imagem e semelhança. Porém, nem todos viam assim.
O Antigo Testamento revela a vida de muitas mulheres que, lado a lado com o homem, tiveram grande capacidade de liderança, participação na vida familiar, social, econômica, religiosa e comunitária de Israel. Mulheres grandes na fé, como Sara, esposa de Abraão, que na sua idade avançada gerou Isaac, iniciando assim a nação israelita. A prostituta Raabe; a irmã de Moisés, Miriam; Ana, Débora; a mulher virtuosa que fala o livro dos Provérbios, no capítulo 31, de autoria da mãe do rei Salomão. Ester, a qual se tornou rainha da Pérsia e conseguiu impedir um plano que acabaria com o povo judeu... e assim tantas outras personagens que marcaram o Antigo Testamento com coragem, força e fé. Entretanto, haviam muitas leis que impediam o seu direito de igualdade com o homem. Assim, seu papel acabou sendo reduzido, para muitas, ao da submissão e a de progenitoras, o que as tornavam excluídas. Mesmo o divórcio tinha leis severas somente para as mulheres.
Foi num contexto histórico assim que nasceu Maria, a mãe de Jesus. Seus pais, Joaquim e Ana, descendentes de Davi, eram muito religiosos, porém sofriam porque não tinham filhos. Após fazerem uma promessa a Deus de que se eles recebessem a graça do nascimento de um filho o destinariam ao serviço de Deus, Ana, já em idade avançada, concebe uma filha, a qual da o nome de Maria.
Maria, que em hebraico significa senhora soberana – rainha da luz, foi esperada por seus pais com muita alegria e gratidão. E assim Maria veio ao mundo.
Pois bem, esta pequena senhora, aos 3 anos de idade foi apresentada no templo por seus pais, como era de costume. Para cumprirem a promessa que fizeram a Deus, passaram então a morar perto do templo para que Maria pudesse se dedicar totalmente a Deus, estudando com outras meninas as Leis, rezando, lendo as Sagradas Escrituras e executando trabalhos manuais modestos. Ali Maria viveu aproximadamente até seus 11 anos, tempo esse em que a graça de Deus foi trabalhando silenciosamente dentro dela, levando-a a desenvolver uma compaixão humana muito grande, com humildade e dedicadeza em tudo o que fazia e principalmente, entregue a vontade de Deus, sem reservas ou hesitação.
Seus pais, Joaquim e Ana, já estavam bem idosos. Quando Maria completou 12 anos foi transferida para Nazaré porque seu pai então faleceu e ela não poderia permanecer mais ali no templo em Jerusalém porque as leis não permitiam.
Indo morar em Nazaré, Maria, como era o costume da época e do povo, foi prometida em casamento a José, o qual pertencia a tribo de Judá e era da linhagem do rei Davi. Em relação a Maria, José tinha uma idade avançada, porém era um homem muito respeitado e admirado pelas pessoas pois era temente a Deus, possuía em seu coração um amor grande a sua religião e sempre foi um homem do silêncio e do trabalho. A Bíblia mesmo fala pouco sobre José. Sua vida foi em função da vinda de Jesus pois ele também foi escolhido para acolher Jesus como seu filho adotivo neste mundo, tanto que também sua profissão, a de marceneiro, Jesus aprendeu com ele.
Certo dia, antes de casar-se com José, estava Maria em sua casa fazendo seus trabalhos manuais quando algo diferente ocorre. Surge diante dela um enviado de Deus que a cumprimenta dizendo: “Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está com você! Não tenha medo!” Maria não entende o que aquelas palavras querem dizer e fica meditando-as em seu coração. E o enviado então falou-lhe de sua futura gravidez, do filho que ela geraria e do projeto que Deus tinha sobre ele. Ela seria a mãe do messias que todo o seu povo esperava. Mas como isso aconteceria, perguntou, pois ela ainda não havia se casado com José. “A criança que nascer de ti será chamada Filho do Altíssimo pois o Espírito Santo virá sobre você e o santificará em seu ventre. Sua prima Isabel, a qual era considerada estéril agora está grávida, mesmo já sendo idosa. Veja: para Deus nada é impossível!” Sentindo uma alegria muito grande em seu coração, Maria então ajoelha-se e proclama a Deus seu primeiro “Faça-se”.
Sabendo então da gravidez de sua prima Isabel, Maria decidiu ir passar uns tempos com ela para ajudar-lhe nos trabalhos de casa e na espera do filho. Observa-se aí Maria missionária, amiga, que parte para ajudar quem precisa, que sai de si e vai em busca do outro sem medir esforços.
Chegando lá logo sua prima a viu e foi a seu encontro. Isabel sentiu uma alegria tão grande ao ver e ouvir Maria a saudando que a criança em seu ventre agitou-se por tamanha alegria. E então, percebendo que com Maria também havia acontecido algo semelhante, Isabel fala: “ Maria, entre todas as mulheres és bendita! Como posso eu merecer que a mãe do messias, o Salvador, venha me visitar? Eu senti uma alegria tão grande quando você entrou aqui que foi como experimentar a libertação chegando ao nosso povo! Sua fé é tão grande, Maria, que através de você Deus realizará o que prometeu”. Cheia de alegria, Maria então proclama seu cântico, a bela oração de Ana citada no livro....... do Antigo Testamento:
“A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.Porque pôs os olhos na humildade da sua Serva:de hoje em diante me chamarão bem aventurada todas as gerações.O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome!A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem.Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos.Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes.Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias.Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,Como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre”.
Maria ficou com Isabel por três meses e então voltou para Nazaré.
Ao chegar em sua cidade todos já podiam perceber que ela estava grávida. José, que a esperava com muita alegria e saudades, logo quando a viu entristeceu-se. Não era um homem violento e por isso não fez nada com Maria, apenas retirou-se de sua presença e foi para um lugar onde pudesse pensar no que poderia fazer pois sabia que se falasse a verdade, que o filho não era dele, Maria seria apedrejada pelo povo pois as leis eram claras a este respeito. Então, o que fazer, pensava ele. Maria, porém, permanecia numa serenidade inabalável, fiel a Deus e confiante em sua palavra, sabia que Deus iria ajudá-la e não a deixaria só.
Foi então que José foi avisado por Deus, em sonho, de que não precisava se preocupar pois o filho de Maria fora abençoado por Deus em seu ventre por obra do Espírito Santo, e ele seria aquele do qual o profeta Isaías havia anunciado. Pediu também para que José desse a ele o nome de Jesus, que em hebraico quer dizer: Salvador. E assim se fez... José recebeu Maria como sua esposa, respeitando-a e amando a criança que ela trazia em seu ventre como sendo seu filho.
O nascimento de Jesus foi um marco na história da humanidade. Maria, sempre obediente a Deus e confiante em José, deu a luz a seu filho em uma estrebaria, segundo conta a tradição cristã, sem nenhum conforto ou atendimento médico necessário. Foi sem dúvida uma jovem mulher que enfrentou na fé as durezas sociais e humanas que envolvem a vida. Porém, todo o mistério e beleza que gerou o nascimento de seu filho, Maria guardou e conservou em seu coração e isso a fortaleceu em todos os momentos difíceis pelos quais passou.
Completados os dias da purificação, como observava a Lei de Moisés, levaram o menino Jesus até o templo para apresentá-lo e consagrá-lo ao Senhor. Neste mesmo tempo aproximou-se do Templo um homem chamado Simeão, o qual já idoso aguardava ver, antes de morrer, o Messias que viria salvar seu povo. Chegando lá, Simeão toma o menino nos braços, louva a Deus e dirige palavras a Maria as quais ela não entendeu, mas novamente guardou em seu coração e ali foi meditando-as enquanto via a vontade de Deus se cumprir em sua vida e na de seu filho. Depois disso, voltam para Nazaré.
Todos os anos acontecia em Jerusalém a festa da Páscoa e todos os povos das cidades da redondeza se dirigiam até lá. Faziam isso em peregrinação, todos juntos. Jesus já estava com 12 anos quando sua família, como de costume, foi a desta com o povo de sua comunidade. Ao regressarem seus pais, misturados ao meio do povo, não perceberam que Jesus havia ficado em Jerusalém pois pensavam que ele estava junto com outras crianças. Somente depois, no meio do caminho é que perceberam que ele não estava na caravana, então voltaram a Jerusalém muito aflitos para procurá-lo.
Maria, embora sentindo seu coração doer de tanta preocupação, não perde a calma nem a fé de que encontraria seu filho. Chegando lá, Maria e José o buscam por todos os lados, perguntando a cada pessoa se viram tal criança. Somente 3 dias depois do sumiço de Jesus é que o encontram no Templo, conversando e fazendo perguntas aos doutores e chefes da religião judaica. Ao vê-lo, uma alegria invade o coração da mãe aflita que imediatamente o questiona sobre o porque de ele agir daquela forma com ela e seu pai José. Sem exitar o menino responde tranquilamente que a preocupação deles não deveria ser tanta pois já deviam de imaginar que ele estaria no templo, cuidando das coisas de Deus, o qual ele chamou de pai, pela primeira vez, sem perceber. Mas Maria percebeu e guardou aquela palavra em seu coração, lembrando do dia em que o enviado de Deus a visitou falando do filho que ela carregaria em seu ventre e da importância que ele daria a Deus em sua vida. E assim a profecia começava a mostrar evidências de que realmente o messias já estava no meio do seu povo.
Retornaram então a Nazaré onde Jesus foi crescendo em sabedoria, graça e estatura diante de Deus, de sua família e do seu povo. Aprendeu de seu pai a profissão de carpinteiro, observando muito mais que os detalhes que o trabalho exigia, mas sobretudo aprendendo do homem José, integro, honesto e trabalhador, e da mãe Maria, exemplo de vida de oração, confiança e entrega a Deus, muita humildade no trato com as pessoas e uma grande fé, paciência e coragem.
Maria acompanhou a vida de seu filho passo a passo como uma boa mãe que sabe educar e amar ao mesmo tempo. Quantas vezes Maria não deve ter chorado escondido, como fazem as mães? Quantas noites ela deve ter ficado sem dormir, preocupada com seu filho, esperando ele chegar em casa?
Ela na foi rica e sim pobre. Foi aquela mãe trabalhadeira, que colhe o trigo, mói e faz o pão. Cuida da limpeza da casa e das roupas de sua família e no silêncio conversava, ouvia e buscava a Deus. Foi mãe e esposa de operários e mesmo assim foi a mais nobre de todas as mulheres deste mundo.
Jesus, tanto na catequese quanto na participação na sinagoga, foi muito dedicado e muito sensível aos apelos de Deus em seu coração. Com certeza, muitas vezes, ele se dirigiu a sua mãe em busca da vontade de Deus para sua vida, pois era nela que tudo havia começado. E Maria, como fonte primeira, estava sempre a disposição de seu filho e de Deus. – “Faça-se!”, esta foi sempre a resposta que ela e Jesus deram a Deus e que calou seus instintos humanos mais fortes e profundos.
Passado alguns anos vem a morte de José. Maria agora se vê sozinha com seu filho. Jesus já esta com quase 30 anos e começa aí a ser movido totalmente pelo Espírito Santo que o santificou no ventre de sua mãe. E Maria o acompanha no silêncio do seu coração e na confiança em Deus de que sabia nas mãos de quem havia depositado a vida de seu filho.
Jesus já começava a ganhar notoriedade em sua cidade pelas palavras que dizia na Sinagoga e pela vida que elas transmitiam e algumas pessoas já mostravam o desejo de segui-lo.
Certo dia houve uma festa de casamento de uns parentes de Maria e Jesus em Caná da Galiléia e os dois foram convidados. Alguns seguidores de Jesus foram junto com ele também. Em certo momento faltou vinho e as pessoas começaram a ficar incômodas com aquela situação, em especial os pais dos noivos. Maria percebeu que alguma coisa estava acontecendo e foi ver o que era. Quando soube da falta do vinho foi e falou para Jesus, o qual, no primeiro momento achou estranha a atitude de sua mãe e nada fez. Maria apenas disse as pessoas que estavam ao seu redor para ajudarem seu filho no que ele precisasse e então abriu espaço para que Deus começasse a operar sua vontade em Jesus. E assim aconteceu. Jesus inicia aí sua “vida pública”, manifestando o poder de Deus em sua vida.
Mas, olhemos atentamente para Maria nesta cena: uma mulher sensível a Deus e as necessidades do povo, intercessora. A mãe paciente, que conhece e espera do filho o melhor e crê nele.
A partir daí, a mãe acompanha seu filho, assim como outras mulheres que também se põe a seguir Jesus. Porém, o papel da mãe e da mulher Maria vai ficando na sombra de seu filho. Assim como José, Maria fora a escolhida por Deus por causa de Jesus. Mas Jesus foi o que foi pela influência da vida destas duas pessoas. As bem-aventuranças, por exemplo, com certeza Jesus vislumbrava sua mãe ao descrevê-las pois ele aprendeu de sua mãe, olhou para ela e a admirou. Aí percebe-se que a maternidade de Maria foi muito mais que carnal, foi também espiritual.
Ao procurar Jesus, em certa passagem bíblica, Maria, apontada como “sua mãe está aí”, recebe de seu filho uma resposta que pode até tê-la entristecido pois Jesus refere-se as outras pessoas com quem está como sendo “sua mãe”. Porém, ela sabia em seu coração que seu filho não veio ao mundo para ela e sim para fazer a vontade daquele que o enviou e que aquelas pessoas eram tão importantes para ele quanto ela.
O papel de Maria é bem mais do que o papel de mãe de Jesus, ela é também a mãe da humanidade, de todas as pessoas. Imaginemos um ninho de pássaros onde 4 filhotes famintos estão esperando a mãe retornar ao ninho com alimento para eles. Retornando, a mãe os alimenta mas a comida é pouca e eles sentem fome. Um dos filhotes, então, dá-se como alimento aos seus irmãos e a mãe assim, dando a carne de seu filho sacia os outros. Um filho se entrega, por e com amor, para saciar a fome de todos os outros... Foi este o papel da mãe Maria: dar seu filho ao mundo, e foi este o papel de Jesus: dar-se como alimento a todos nós.
Outro fato marcante da vida de Maria foi o Calvário. No Calvário, acompanhando Jesus em sua “via-sacra”, Maria teve que ser mais forte do que fora em sua vida toda. Com certeza perguntou-se o “por que” daquilo tudo, mas também mais uma vez proclamou o seu “Faça-se”, tendo a certeza de que ali respirava Deus e de que o seu amor iria transformar tudo. “Faça-se”... sem gritos ou escândalos... apenas fiel a Deus e a seu filho Jesus, até nos pés da cruz.
Esta foi a mãe e a mulher Maria. Tão jovem e tão cheia de Deus que teve a graça ver seu filho ser chamado de “Filho de Deus”. Tão feminina que tornou a mulher mais bela, mais santa, mais divina. Tão senhora de si e de suas emoções que ensinou a cada mulher a linguagem do coração. Tão forte e serena que nos ensinou a nos recolhermos sobre nós mesmos como uma flor que dobra suas pétalas diante da negra noite e que depois se abre na aurora do dia. Tão orante e também silenciosa que nos ensinou a sua oração: Faça-se!
Esta foi a mãe e a mulher chamada Maria, a cheia de graça!
Amém!

Um irmão chamado Jesus!

Irmão: palavra que aproxima e quebra distâncias desfazendo as diferenças. Referir-se a alguém como irmão indica intimidade e liberdade com essa pessoa, trazendo-a para junto de si de uma forma acolhedora.
Escolhi esta palavra para referir-se a Jesus porque ele foi uma pessoa que soube ser assim para com todos os que se aproximavam dele. Soube trazê-las para junto de si de uma forma tão pessoal que conhecia o coração de cada um somente com o olhar. E neste saber olhar, ele sabia também ouvir, falar o essencial e caminhar junto com qualquer pessoa, independente de sua história de vida.
Jesus é o irmão que nos deu um pai chamado Deus ou que nos ensinou a chamar Deus de pai. Deus foi a primeira pessoa que Jesus aproximou de todos nós. Até então, a relação que as pessoas mantinham com Deus sempre foi distante e cheia de negociações. Por isso o “antes de Cristo” e o “depois de Cristo” não só dividiu o calendário da humanidade e a Bíblia, mas veio nos mostrar também que somos herdeiros dessa divindade, passando por uma experiência humana.
A história de seu nascimento é uma das mais conhecidas, contadas e encenadas até hoje. O aspecto social e religioso foram os que mais envolveram seu nascimento e isso se seguiu durante toda a sua vida até a morte.
A pobreza sempre fez parte de sua vida, mas não foi uma situação que o condicionou a ser um miserável ou um marginal, muito pelo contrário, para Jesus foi sinônimo de liberdade para ele e para Deus agir em sua vida. Tanto que, essa pobreza de Jesus foi colocada dentro da vida consagrada como um voto, ou seja, é uma condição para quem quer consagrar-se a Deus viver e ser pobre. Sem essa pobreza não pode haver entrega a Deus.
A religião era, nas palavras de Jesus, pregada por hipócritas que a usavam como poder para beneficiar-se, impondo ao povo uma coisa que eles não faziam. As leis eram pesadas, desnecessárias muitas vezes e seletivas. As mulheres, crianças e doentes eram os mais deixados as margens não só dentro da sociedade como também dentro da religião.
Claro que essas injustiças e muitas outras eram vistas e denunciadas a publico pelos chamados “profetas”, os quais tinham a coragem de “gritar” aos quatro ventos a injustiça e a mentira da sociedade e da religião. Jesus também foi visto, a princípio, como um desses profetas, e não que ele não tenha sido, ele foi também um profeta.
Entretanto, antes de tudo, Jesus tinha uma família: era o filho do carpinteiro José e da humilde mulher Maria. Tinha seus parentes e amigos. O relacionamento com seus apóstolos, mais tarde, revelava alguém muito humano, que conhecia cada pessoa por dentro, com suas particularidades, defeitos e dons, os quais ele soube trabalhar muito bem.
De repente Jesus, o filho do carpinteiro
se tornara famoso em território estrangeiro
e toda gente insistia que Jesus era filho
de José e Maria e que não é por falar
E na pequena cidade um comentário se ouvia
onde Ele fora arranjar tamanha sabedoria
Todo mundo sabia que seu pai se ocupara
de uma carpintaria onde o menino cresceu
um belo dia, contudo, Ele saíra pregando
um novo reino e falando que o pai d´Ele era Deus.

Mas o que será que movia este homem por dentro? Além da força do Espírito Santo, Jesus viveu uma experiência familiar muito saudável e também foi fiel a sua catequese recebida na Sinagoga. Aprendeu a orar, a ler, conhecia de cor os Salmos e com o passar dos anos identificou-se naquelas escrituras como o “cordeiro de Deus” pois seu coração ansiava por aquela libertação. Mas, descobrir-se, sentir-se e revelar-se como Filho de Deus se deu ao longo de sua vida e missão.

É difícil para a nossa fé, às vezes, enxergar Jesus como um ser humano, um homem. Mas ele foi. Teve suas alegrias e tristezas, foi seguido e perseguido, teve que fazer escolhas difíceis, trabalhar, renunciar ao casamento, estudar, alimentar-se para viver, rezar - e muito! Se Jesus não tivesse a vida de oração que ele teve com certeza ele não teria conseguido ir até o fim em sua missão. Teve amigos e chorou pela morte de um deles, que foi Lázaro. Optou muitas vezes pela solidão, sendo um celibatário por livre escolha porque quis dedicar toda a sua vida ao serviço do Reino de Deus e nele encontrou o amor que preencheu todos os seus dias. Por isso, dentro da vida consagrada o celibato também é uma condição para o seguimento de Jesus, é um voto, e vivendo este voto, o consagrado vive pela mesma graça que Jesus viveu.
A fidelidade e obediência que Jesus teve ao caminho escolhido também foram fatores fortes para o cumprimento de sua missão. Sua obediência nunca foi cega pois ele sabia o que fazia de sua vida e tinha uma visão ampla do ser humano como pessoa e como espírito também. Assim, a vida consagrada exige também o voto de obediência para que aqueles que se consagram tenham este esclarecimento dentro de si, como Jesus teve, para que a obediência tenha um fundamento, uma razão de ser.
Como em terra natal nenhum profeta é aceito
logo, logo, arranjaram prá Jesus um defeito
Que Ele não tinha jeito de profeta qual nada
era tudo barbada, ilusão de rapaz
E na pequena cidade o comentário crescera
que Jesus na verdade até já enlouquecera
Todo mundo entendia, todo mundo sabia
que Jesus não podia ser de Deus um sinal
Um belo dia, contudo, Ele saíra curando
e mesmo ressuscitado, com poder sem igual.

Jesus não foi um rei da maneira com a qual todos estavam acostumados a ver, sua nobreza estava em seu ser, seu caráter e na sua maneira de tratar as pessoas. Sempre muito inteiro em tudo o que fazia, Jesus usava de uma pedagogia para com aqueles que o seguiam que não dava respostas prontas, embora ele as soubesse. Ele fazia com que cada pessoa encontrasse a resposta dentro de si mesma, ou seja: ele batia na porta do coração com as perguntas certas e cabia a cada um abrir a porta por dentro e deixá-lo entrar. O espaço que lhe dava ele conquistava de tal maneira que era impossível não entregar-se totalmente a ele. O relacionamento com seus apóstolos, por exemplo, revelou alguém muito humano, que conhecia, aceitava e respeitava cada pessoa, com suas particularidades, defeitos e dons, os quais ele soube trabalhar muito bem. Assim, ele nunca obrigou ninguém a segui-lo, apenas aproximou-se, deixou também que as pessoas se aproximassem, lançou o convite e semeou sementes. Foi um homem cheio de amor, do verdadeiro amor, aquele que age. Por isso, o amor que temos uns pelos outros será o primeiro sinal de que somos seus seguidores.
Ser um semeador sempre foi uma de suas principais características, tanto que para revelar Deus, seu Reino e também auto-revelar-se, Jesus contava histórias e usava de símbolos ou metáforas, como: o barco, as sementes, o fermento, o sal, a luz, o tesouro escondido no campo, a moeda, o pastor de ovelhas, as redes, a pesca, o trigo, uva e muitos outros símbolos. Tudo isso fazia parte da vida e da cultura do seu povo por isso certas comparações ajudavam as pessoas a ver que o Reino de Deus já estava acontecendo no meio deles. Lançar as redes ao mar, por exemplo, e “se tornar pescador de pessoas”, Jesus falou aos pescadores.
O chamado dos primeiros seguidores, que eram pescadores, permaneceu para sempre vivo em seus corações como uma chama que jamais se apagou, a qual foi sendo passada para nós através do amor concreto, do testemunho de vida e da certeza de que Jesus realmente era o filho de Deus e de que ele ressuscitou e continua vivo no meio de nós.
É um mistério da fé. Mistério, porém, que deixa de ser quando se percebe que suas palavras continuam tão cheias de vida hoje quanto eram há dois mil anos atrás... quando se percebe o numero de pessoas que consagram suas vidas de uma forma mais radical por amor do seu nome... quando se vê pessoas saindo pelo mundo em missão para simplesmente ajudar outras pessoas, sem o intuito de querer converter ninguém, apenas por querer fazer o bem e por ser sensível aos apelos de Deus no mundo, encontrando nisso a verdadeira felicidade. E ser mais feliz ainda se por estes atos e muitos outros ser chamada de cristã.
Jesus foi um ser humano assim, sensível a Deus e as necessidades do povo. Seu coração sofreu muitas e muitas vezes por fatos humanos e também espirituais, como um campo de batalha onde estas duas forças lutavam. Mas o amor de Deus derramou-se de tal forma em seu coração que tudo o mais era pequeno diante desse amor. Jesus foi inebriado de tal forma pelo amor de Deus que a fé nos mostra Jesus como o “Filho de Deus” exatamente porque sua vida irradiava isso: era um amor correspondido, e todos sabem que quando uma pessoa ama de verdade ela só fala do ser amado.
Por isso, havia algo de sagrado nas atitudes, palavras e no jeito de ser daquele nazareno. Respirava-se Deus junto dele. Pedro, seu apóstolo, certa vez lhe disse: “Mestre, para onde iremos? Só tu tens palavras de vida eterna.” E é esta mesma indagação que até hoje fazem aqueles que o conhecem verdadeiramente porque sentem a eternidade e a divindade que emanam de sua pessoa, e uma vez ouvindo a sua voz, ela ficará para sempre em nós.
O calvário é um enigma da fé de Jesus e de sua mãe, Maria. Ambos não disseram seu “faça-se” sem prever isso: para Maria uma espada de dor que transpassou seu coração e para Jesus a morte na cruz. E este mesmo enigma também acompanha a fé daqueles que se colocam no seu seguimento porque de um lado está a sua proposta de vida e de outro aquela que o mundo oferece. Como dizem as escrituras: “...é estreito o caminho que leva a vida e largo aquele que conduz a morte. Escolham, pois, o caminho estreito.” Somente o amor serve e justifica-se, aqui, como resposta. No mais, silencia-se diante de tudo isso.
Mas prá tudo se acha alguma explicação
prá não se ter que aceitar nenhuma renovação
e toda gente insistia que Jesus fora longe
mais do que deveria e que devia calar
E que devia voltar prá aquela carpintaria
e que se César soubesse, o povo é quem pagaria
todo mundo se lembra o que depois sucedeu
como foi que O mataram porque foi que morreu
e o mundo foi dividido entre quem leu e não leu
quem acredita e não crê, que Ele era o filho de Deus.
Falar sobre Jesus, este irmão exemplar, é descobrir não só como as palavras são belas, mas também como podemos ser bons e fazer o bem e como somos capazes de amar além dos nossos limites humanos.
Deus é um só e Jesus veio para todos. Que diante dos apelos do mundo ou de qualquer situação ou necessidade, nossa ou de algum irmão, possamos repetir como Pedro: “Não tenho ouro e nem prata, mas o que tenho te dou: o amor de Jesus de Nazaré”.

Um amigo chamado Espírito Santo!

“o Espírito Santo de Deus é um sopro de vida... "

Amigo: palavra que define um ser que veio ao mundo para ser nosso anjo, ou o irmão que escolhemos, ou o espaço da liberdade que nos permite ser o que somos diante dele ou ainda alguém que não esquecemos e que não esquece de nós... e mais, alguém capaz de dar a vida por nós pois não há maior amor do que dar a vida por seu amigo.
Com esta definição começo a falar sobre o Espírito Santo, o bom amigo.
O Espírito Santo é o primeiro amigo de quem se tem noticias na Bíblia. Desde o tempo da criação do mundo, no livro do Gênesis, onde no princípio estava Deus a criar o céu e a terra, estava ele soprando e pairando sobre as águas fazendo companhia a Deus.
Certo dia, depois de tudo criado, Deus disse a ele – “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”, e assim se fez. E desde então todo ser humano é imagem e semelhança de Deus porque possui em si o sopro da vida dado pelo Espírito Santo.
A partir de então, muitas pessoas passaram pelo mundo caminhando na presença do Espírito Santo de uma forma mais sensível a sua presença, e ele, como um bom amigo, os fortificou e orientou na caminhada.
Abraão – o homem da fé, Moisés, Davi, Jó.... e alguns outros personagens que marcaram o Antigo Testamento foram pessoas que tiveram maior sensibilidade a Deus através da ação do Espírito Santo. Caminharam o caminho da vida cumprindo uma missão que os fazia olhar e se comprometer com a justiça e o direito de todo o povo e não só por eles.
Passado um tempo vieram os profetas, homens enviados por Deus para apontar um caminho que ainda viria mas que já deveria ser começado a seguir.
Ezequiel, um dos profetas, relata a famosa passagem do vale dos ossos secos. Aí, a palavra profética, assim como a palavra criadora em Gênesis invoca o espírito para libertar o povo que estava sendo dominado e destruído. É uma belíssima narração onde se pode visualizar a ação do espírito que é soprado nos cadáveres, fazendo-os reviver.
Porém, o mais radical deles foi João, o qual pregava um batismo de conversão. João, movido pelo Espírito Santo, vivia uma vida pobre e simples, totalmente desapegado de qualquer bem material e muito temente a Deus.
Todos viviam, então, uma espera, a vinda de um messias que libertaria o povo da escravidão. Sabiam que este dia chegaria, e pelo Espírito Santo, viviam essa esperança. E o Espírito Santo não os decepcionou...
Estava certa vez uma jovem em sua casa, seu nome era Maria e ela era muito pura de coração e transparente em suas ações. Deus a olhou de um modo especial e o Espírito Santo a visitou e fez nascer dela Jesus, o “cordeiro de Deus” do qual os profetas profetizaram, o qual, segundo Isaías, “anunciaria a Boa notícia aos pobres; proclamaria a libertação dos presos e aos cegos devolver-lhe-ia a visão e libertaria os oprimidos, louvando a Deus”. E foi assim que o amor então veio ao mundo.
Desde pequeno Jesus foi obediente a seus pais, e crescia em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e das pessoas.
Enquanto isso, João, o ultimo dos profetas, o qual é chamado o pré-cursor do messias porque foi ele quem preparou o caminho para Jesus, vivia também sua missão. Ambos tinham quase a mesma idade e o Espírito Santo trabalhava silenciosamente em seus corações e em suas vidas.
As margens do rio Jordão, João pregava e batizava. O povo, na espera do messias, perguntavam a si mesmos se João não seria o Messias. Por isso, João declarou a todos: “Eu batizo vocês com água. Mas vai chegar alguém mais forte do que eu e eu não sou digno nem sequer de desamarrar a correia das sandálias dele. Ele é quem batizara vocês com o Espírito Santo”.
Jesus, movido então pelo Espírito Santo, dirigiu-se até João para receber o Batismo. Ao ser batizado Jesus colocou-se a rezar e então o céu se abriu e de lá ouviu-se uma voz que dizia: “Tu és o meu Filho amado! Em ti encontro o meu agrado”.
Feita então esta comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Jesus é conduzido por este mesmo Espírito através do deserto. Durante 40 dias Jesus é tentado por outro espírito, o qual não é nem um pouco seu amigo, e ali, diante das Escrituras e do que lhe era proposto por “tal espírito”, Jesus identifica-se nelas como o Messias esperado e enviado por Deus a toda humanidade. E assim, esgotada todas as formas de tentação, tal espírito afasta-se de Jesus para voltar quando ele estivesse mais fraco.
Com a força do Espírito Santo, Jesus retorna então a sua cidade e inicia sua missão citando o que Isaías havia dito sobre o Messias: “O Espírito do Senhor está sobre mim porque ele me consagrou...”.
Antes de qualquer decisão, escolha ou dúvida e mesmo diante do medo, Jesus se retirava para orar, e lá, juntamente com o Pai e o Espírito Santo, Jesus curava suas feridas para poder depois curar a dos outros.
Se Jesus não tivesse vivido essa comunhão intensa com Deus e com o Espírito Santo ele não teria chegado até onde foi. Sua infância, sua família e sua participação na sinagoga também foram importantes para o seu caminho, pois conhecendo as escrituras e sendo sensível as necessidades do povo de seu tempo, Jesus foi sendo absorvido pelo infinito amor de Deus, o que o tornou Filho deste mesmo amor.
Num diálogo com Nicodemos, um judeu visto como importante, Jesus fala de um novo nascimento, o nascimento que se dá através do Espírito Santo. Nicodemos o questiona de que forma isso pode acontecer se o homem já nasceu e Jesus o leva para o campo da fé. Este nascimento, que visivelmente se dá através do Batismo, só é possível se o homem estiver aberto a “novidade” que é Deus, a qual vai se dar através da fé.
Jesus mesmo começou sua vida apostólica após o seu Batismo, foi ali que ele nasceu do Espírito e começou a ultrapassar as barreiras de uma religião que distanciava Deus dos homens. Tanto ultrapassou barreiras e chegou tão perto de Deus que o chamou de Pai, entendendo e vivendo aquele infinito amor a ponto de dar a sua vida por ele.
Em outro diálogo bíblico, agora com uma mulher samaritana, Jesus diz que Deus é espírito e deve ser adorado em espírito e verdade, ou seja: nada de templos, lugares materiais para louvar a Deus. O verdadeiro lugar de adoração a Deus é a vida do próprio homem, vivida em favor dos demais, assim como Jesus viveu, dentro da sua dimensão humana. Este é o verdadeiro culto que Deus quer e que só é possível quando as pessoas superarem preconceitos e discriminações.
Para os primeiros apóstolos também não foi fácil compreender o que Jesus dizia e entender a força do Espírito Santo. Antes de sua morte Jesus os instruiu e os alertou sobre perseguições por causa de seu seguimento, porém ele não ficou preocupado porque sabia que o Espírito Santo seria enviado a eles e a força do seu testemunho de vida iria ficar pra sempre em seus corações, fazendo com que através da vida deles Jesus continuasse vivo. E foi o que aconteceu.
Com a morte de Jesus na cruz houve um tempo de dispersão onde os apóstolos não entenderam de imediato o que e porque aconteceu tal fato, mesmo estando com Jesus todos os dias. Porém, durante quarenta dias, após a sua morte, Jesus apareceu a eles em lugares escondidos dizendo-lhes que dentro de poucos dias eles seriam batizados com o Espírito Santo. E assim, de várias outras formas Jesus mostrou-se vivo no meio deles.
Houve, porém um dia chamado Pentecostes, dia de grande alegria para os judeus pois celebrava-se a festa das colheitas. Neste dia, estavam todos os apóstolos reunidos em oração juntamente com Maria, mãe de Jesus, e outras mulheres. Soprou na sala onde eles se encontravam um vento muito forte e o Espírito Santo prometido por Jesus desceu sobre eles em forma de línguas de fogo e cada qual começou a falar na sua própria língua materna.
Pedro, então, tomando a palavra relembrou o que o profeta Joel já havia predito sobre o que Deus faria nos últimos dias, derramando seu espírito sobre seus servos e servas e estes profetizariam. Também Paulo, mais tarde, vai escrever em suas cartas sobre o imenso amor de Deus que foi derramado em nossos corações.
A partir daí começa o testemunho dos discípulos e a ressurreição de Jesus se faz conhecida a todos agora, e não só ao grupo dos doze. Restaurados por esta força impetuosa e dinâmica que vem do alto, os apóstolos ganham um novo vigor e vão pelo mundo anunciando o que Jesus falou, formando e vivendo em comunidades e continuando o que Jesus havia começado.
Muitas coisas foram e são feitas em nome de Jesus: curas, milagres, partilhas, ... mas o principal é revelar a filiação divina que todo homem possui e mostrar a humanidade de Deus Pai presente no meio de nós através desse nosso amigo tão próximo que é o Espírito Santo. E Jesus foi essa pessoa que soube tão bem viver e revelar isto.
Hoje, continuamos esse mesmo apostolado através do nosso testemunho diário em nossa vida. O Espírito Santo continua sua obra criadora em e através de nós, da mesma forma criativa e amiga de quando estava com Deus, lá no princípio...
Olhando para a pessoa de Jesus nos evangelhos, somos chamados a revelá-lo no mundo de hoje, pois a lei do Espírito, como cita Paulo na Carta aos Romanos, “dá a vida em Jesus”. Ele continua ressuscitando em nós cada vez que nos deixamos guiar pela luz do Espírito Santo e fazemos aquilo que ele faria se estivesse em nosso lugar.
O Espírito concede a cada pessoa dons diferentes. Todos, cristãos ou não, passam pelo mundo colocando em prática o que dele receberam. Deus não nos deu um espírito de comodismo, mas de ação, de busca de alegria, a nossa e a dos outros. Dinamismo, criatividade e coragem são sinais de sua presença em cada um de nós.

domingo, 14 de junho de 2009

Um Deus chamado Pai!

“...Pai nosso ...” (Mt 6, 9)

Pai: aquele que gera, que cria, que zela e que acima de tudo ama incondicionalmente, desde sempre e por toda a vida, e que nunca desiste de seus filhos.
Foi assim que Jesus nos apresentou Deus, como Pai! Um pai presente nos momentos alegres e também nos tristes. Um pai que perdoa, que é misericordioso e que nunca desiste de seus filhos porque só sabe amar. Aliás, se tem uma coisa que Deus não sabe é não amar.
O Antigo Testamento é marcado por uma experiência libertadora de Deus, mas o que aquele povo sentia em relação a Deus os mantinha muito distante de seu verdadeiro amor. Havia mais medo de Deus nas pessoas do que qualquer outra coisa. Este falso temor fez surgir através da religião leis que escravizavam, repudiavam e até excluíam as pessoas, afastando-as cada vez mais de Deus. O contato com Deus se dava através de sacrifícios nos templos, de uma forma de troca de favores e obediência cega, sem compreensão alguma.

No relato da criação, no livro do Gênesis, há um versículo onde Deus fala: “Façamos o homem a nossa imagem e semelhança”. Ali, Ele e o Espírito Santo conversavam. Desse diálogo já poderíamos nos colocar como filhos de Deus desde o princípio. Mas por que? Porque somos a imagem e semelhança de nossos pais, temos características semelhantes a eles. E Deus, aqui, nos torna seus filhos porque nos deu seu mesmo sopro de vida. Com um olhar mais atento a este diálogo poderia ter sido antecipado a revelação que Jesus veio trazer. Mesmo atravessando o Mar Vermelho a pé enxuto o povo não soube olhar para este diálogo santo e amoroso.
No tempo dos profetas esperava-se a vinda de um messias, de um rei que viria em nome de Deus para libertar o povo de toda injustiça e escravidão. É neste cenário que surge Jesus, em um tempo de espera.

Filho do carpinteiro José e da humilde Maria, Jesus vai bem mais profundo. Ele não só atravessou o mar, mas andou sobre suas águas... Não foi a toa que certa vez ele pediu que seus discípulos lançassem as redes e avançassem para águas mais profundas porque ali na profundidade onde ele mergulhou, ele conheceu o verdadeiro rosto de Deus. Sua intimidade com Deus foi tamanha que o fez ultrapassar todas as barreiras humanas e divinas que separam o homem de seu criador e ousou chamá-lo de pai.
Sua ousadia, porém, custou caro. Foi desprezado por seus próprios conterrâneos e acusado de blasfemar ao se proclamar filho de Deus. Acredito que um dos fortes motivos que o levaram a crucificação foi este pois Jesus entrou em conflito não só com o social de sua época mas com a religião. O fato de proclamar-se filho de Deus mexia com as autoridades religiosas tradicionais, não só a dos judeus mas também de outros povos porque Jesus, sendo judeu, colocava-se aberto a todos, como relata a passagem com a mulher samaritana.
Em uma de suas parábolas, a do Filho Pródigo, Jesus mostra a face misericordiosa de Deus. É um dos relatos mais lindos que há sobre o amor de Deus e que revela a essência de sua paternidade. Nele vislumbra-se bem que Deus não faz distinção de pessoas e que o que importa para ele é o retorno para sua casa. O pai acolhe de braços abertos aquele filho que um dia partiu levando tudo o que tinha direito e que agora retorna sem nada. E mais, ele o acolhe com uma festa, coloca um anel em seu dedo, sandálias em seus pés e a melhor túnica que possui, ou seja, ele lhe restitui a dignidade de pessoa que o filho havia perdido por meio do pecado. A música “Abraço de Pai”, de Walmir Alencar, descreve esta parábola com palavras de um amor e bondade irresistíveis. Vejamos:

"Quanto eu esperei! Ansioso queria te ver
E te falar o que há em mim, já não podia me conter
Me decidi, SenhorHoje quero rasgar meu viver
E te mostrar meu coração, tudo que tenho e sou
E por mais que me falem, não vou desistir!
Eu sei que nada sou, por isso estou aqui
Mas eu sei que o amor que o Senhor tem por mim
É muito mais que o meu, sou gota derramada no mar
Quanto tempo também o Senhor me esperou
Nas tardes encontrou saudade em meu lugar
Mas ao me ver na estrada ao longe voltar
Num salto se alegrou e foi correndo me encontrar
E não me perguntou nem por onde eu andei
Dos bens que eu gastei, mais nada me restou
Mas olhando em meus olhos somente me amou
E ao me beijar, me acolheu num abraço de pai".

Jesus também usa de comparações para mostrar que o amor de Deus é de fato um amor de pai. Diz ele que “ ...vocês, que são maus, sabem dar coisas boas a seus filhos quando eles pedem...”, quanto mais então Deus, o pai do céu, dará coisas boas aos que lhe pedirem. E sua proposta quanto a isso é clara: saber pedir, procurar e bater a porta para que ela se abra.
A parábola da Ovelha Perdida também nos mostra a importância que Deus dá aquele filho, aqui exemplificado como ovelha, que está perdido. Ele deixa segura as outras ovelhas e parte na busca daquela que mais necessita dele, enfrentando abismos e vales sombrios. E acrescenta também quão feliz Deus fica quando um filho que estava perdido no mundo do pecado se converte. Não que Deus não valorize os filhos “justos”, como explica a própria parábola do Filho Pródigo quando o irmão que estava com o pai o questiona sobre isso, mas é que Deus é muito bom e sua lógica para o amor é diferente da nossa. Deus não quer saber do que fizemos, porque fizemos... isso ele já sabe. O que Deus quer é que tenhamos coragem de voltar para Ele porque somos a sua imagem e semelhança e se um só membro de seu corpo não estiver bem, Deus também não sossegará enquanto não o ver bem.

Jesus, em um diálogo com algumas pessoas que o criticavam por ele andar junto com pecadores, justifica sua posição falando que “quem precisa de médico são os doentes e não os que estão sãos”, e acrescenta que ele veio para as ovelhas perdidas.
Olhando para o mundo ao seu redor, a realidade social, política, religiosa e humana, Jesus consegue ver Deus refletido em tudo. Porém, o reflexo que ele vê é a de um Deus desfigurado, diferente da experiência que ele mantinha com Deus , a qual ele queria passar para seu povo. Percebia que Deus faz milagres em todas as coisas através da força de seu grande amor, as pessoas é que não sabiam ver porque não haviam experimentado tamanho amor. Aí é que entra então a proposta do Reino de Deus. Mas que reino é este? Qual a proposta de Deus dentro do mundo em que vivemos, mundo este criado por Ele? Este Reino seria um mundo a parte ou não?
O que Jesus falou a seu povo a respeito do Reino de Deus naquela época vale também para nós hoje. Dizer que o “Reino de Deus já está no meio de vós” significa reconhecer que tudo o que é bom vem de Deus. “Deus é amor”, nos diz a carta de são João. O que move o mundo é o bem e não o mal porque o mal paralisa, entristece e mata.

A proposta do Reino de Deus é também aberta a todos os povos e não somente aos cristãos. Aliás, ser cristão é bem mais do que seguir os ritos católicos da religião. Ser cristão é imitar Jesus Cristo, o que todos, independente de religião ou crença, podem fazer porque as atitudes de Jesus não determinavam que essa proposta era para um povo em especial, muito pelo contrário, em várias passagens ele explana que a salvação veio “também para as ovelhas perdidas da Casa de Israel”, para os samaritanos, e que em muitas vezes estes povos é que entendiam mais a proposta do Reino do que o seu próprio povo. Por isso, o Reino de Deus é sem fronteiras e Jesus veio ao mundo para todos os povos e nações.
Deus continua hoje, através do homem, o seu ato criador tal qual no principio. A manifestação de Deus se dá especialmente através do ser humano, o qual foi criado a sua imagem e semelhança. Mas isso não limita Deus. Deus é um ser ilimitado, que “explode” em todo átomo que há. Todavia, essa manifestação de Deus no homem nos revela a grandiosidade do seu amor porque somente ao homem foi dada a liberdade de poder discernir, de escolher. É o livre arbítrio. A uma flor, por exemplo, não. Ela nasceu para ser uma flor de determinada cor, espécie e pronto, não pode escolher ser de uma cor ou de outra.

Os pais, em especial a mãe, a qual da à luz, é o símbolo máximo da expressão do amor de Deus. Não há mãe que, em sã consciência, não haja como o pai da parábola do Filho Pródigo. Seja o que lá que seu filho faça, ela sempre vai amá-lo e sempre vai acreditar nele. Deus é assim, nunca desiste de nós! Somos a imagem e semelhança de nosso “pai celestial”, criaturas vindas de suas entranhas. Por isso, podemos tranquilamente dizer: “Pai nosso que estás nos céus, pai nosso que estás aqui.

Um Deus apaixonado, mandou o seu recado, por meio do seu filho, e o filho foi Jesus. Mandou dizer que é pai e ama tanto e tanto a cada um, que até o fio de cabelo que nos cai, porque ele é Pai, seu coração percebe.” (Pe.Zezinho)
Abraços a todos que passarem por aqui!

domingo, 7 de junho de 2009

Saudades de Deus...


A idéia deste blog surgiu da inspiração de uma madrugada de oração.


Não era eu quem orava mas fui ao encontro do Cristo que se retirava para estar com o Pai em oração... senti saudades daquela intimidade que um dia eu tive também.


Na verdade senti saudades de Deus! E aqui quero partilhar um pouco de minhas experiências espirituais e de fé.



Sejam bem vindos(as) para comungar comigo desse Amor!



Quem vier, de onde vier, que venha em paz!

"Meu coração não cabe em mim vai mais longe,

vai procurar outro lugar além do que posso ver, tocar

Foi feito pra ir bem mais além

Além do que posso compreender

Transcende o que sou, na rota do eterno quer seguir

Não posso negar, o meu coração tem saudades do céu

Do brilho que nasce dos olhos de Deus, lareiras de amor que aquecem meu ser

Deseja voltar, entrar nas varandas do santo lugar

Nos braços de Deus ver nascer as manhãs

Ouvir seus segredos sem nada dizer

Mas sabe esperar e busca fazer este céu ser aqui

Até vir o dia em que vai retornar

E como criança a dizer: Meu Pai, eu senti tanta saudade!".

(Pe.Fábio - Saudades do céu)




Bjs!